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Ela trocou o suicídio para viver um grande amor

Leticia Franco, de 37 anos, sofre de dermatopolimiosite, uma doença degenerativa, sem cura, que afeta os músculos e a pele. Desesperançada, no começo desse ano ela havia decidido que tiraria a própria vida em uma clínica de suicídio assistido na Suíça. 

Mas quando Guilherme Viñe ficou sabendo dos planos da sua ex-namorada, pegou o telefone e insistiu num encontro com Letícia, mesmo que fosse o último.

Letícia havia anunciado seus planos de morrer no Facebook. A publicação ganhou as manchetes dos jornais de Cuiabá, onde ela mora, e acabou chegando às mãos de Guilherme. 

"Quando vi que a Letícia queria morrer, o meu chão desabou. Liguei para a minha mãe e comecei a chorar. A gente sempre pensa que essas coisas não acontecem com conhecidos, ainda mais sendo uma pessoa de que sempre gostei", diz ele.

Guilherme tentou estabelecer contato com Letícia, mas a comunicação entre os dois era difícil. Ela estava sempre sedada, com muita dor, ou cansada demais para conversar. Foi quando, numa dessas tentativas, a mãe de Letícia o convidou para uma visita.  

“No nosso primeiro reencontro, conversamos muito e nem vimos a hora passar. Foi então que comecei a reaprender sobre a vida", diz a médica.

A frequência dos encontros foi aumentando até se tornarem diárias. Daquela noite de março, bastaram dois meses para eles oficializassem o casamento no civil. 

Esse momento foi, segundo Letícia, o principal motivo para ela suspender os planos de suicídio assistido. Ela diz que o relacionamento a deixou mais disposta, embora ainda sofra muito com as dores. 

A situação dela é tão grave que, nos últimos nove anos, chegou a ser internada mais de 30 vezes na UTI. Ela sente dores constante, tem inflamações em músculos e articulações, fadiga crônica e perda de memória. Desde o recomeço do namoro, no entanto, Letícia se animou a tentar  novos tratamentos, alguns experimentais.

Agora, ela conta que a qualidade de vida melhorou muito. Quanto ao suicídio assistido, esse vai ter que esperar. “Guilherme e a minha família vão respeitar o meu direito a uma morte digna. Mas espero que isso nunca aconteça", afirma.


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Fonte: Bem Estar | Foto: Rodinei Crescencio/BBC